sábado, 21 de outubro de 2017

A vida tem uma mania chata - e incrível - de colocar no nosso caminho pessoas que inesperadamente nos deixam em transe. O que vivemos é tão intenso que o nosso corpo todo adormece, não sentimos nem os braços, nem a ponta do nariz, nem os defeitos. Entretanto, o fim vem; e nos acorda, subitamente, do nosso sonho - quase como uma programação - avisando que houve uma falha e a felicidade entrou, mas ela já foi neutralizada.
A vida fez isso comigo e colocou você no meu caminho. Você, que fez nascer na minha cabeça uma dúvida a qual ninguém foi capaz de levantar em mais de 3 anos, fez com que eu questionasse o que eu sinto, o que eu penso, quem eu sou. Sua forma de pensar - tão assustadoramente idêntica à minha - me fez enxergar coisas que eu nunca - e quando digo nunca, o digo realmente - havia enxergado. De certa forma, acredito que eu deva te agradecer, então agradeço. Agradeço por ter me presenteado com momentos nos quais a minha felicidade foi indescritível, por ser do jeitinho que você é, tão simples, tão único, tão você. Agradeço por ter me feito sentir uma princesa e por ter sido o príncipe que eu sempre sonhei. Agradeço por ter ressuscitado as borboletas do meu estômago, por ter feito o meu coração bater de uma maneira que já não batia há tempos. Agradeço por ter me feito companhia, mas companhia de verdade, aquela que de tão intensa quase dá pra tocar. Agradeço por, entre outras muitas coisas, ter bagunçado o meu cabelo - e a minha vida - e dito que eu fico incrível com a maquiagem que eu estava usando - e que, apesar de você não saber, quis que ficasse perfeita por você.
Mas o fim chegou - chegou? - pra gente também. Hoje, o que sinto é saudade. Saudade de tudo isso que vivi em tão pouco tempo. Minha imaginação viaja por lugares onde sei que seríamos felizes. Gostaria que você soubesse que na minha cabeça já dançamos no aniversário do meu tio, já contamos as estrelas deitados no chão, já tomamos cerveja à beira do lago, já fomos para o Rio de Janeiro e para os festivais de música que eu tanto gosto. Na minha cabeça eu te amei, embora não pudesse fazer isso aqui. E, nesse ponto da minha vida, a dúvida e o vazio que você deixou quando foi embora - você foi embora? - corroem o meu coração de uma maneira difícil e muito dolorida. Não saber se o que sinto por você é recíproco - mesmo que minimamente - está sendo o meu inferno na terra. Às vezes acho que não é a nossa hora. Às vezes tenho certeza. Às vezes simplesmente torço para que não seja. Fica difícil completar qualquer raciocínio com o mínimo de certeza quando eu não sei se sei verdadeiramente quem você é. 
O que eu adoraria, de fato, é que todas essas palavras fossem entregues a você. Adoraria que você soubesse tudo o que significou e continua significando para mim. Adoraria que você soubesse que o meu coração dispara só de te ver lá longe - e que às vezes eu tiro os meus óculos para isso não acontecer. Adoraria que você soubesse o quanto sinto sua falta, o quanto você foi e é especial, o quanto eu te quero bem, sempre bem, sempre feliz, como eu sei que você vai ser. Eu não acho que o que eu sinto por você seja amor, mas é algo tão próximo disso que eu acho que poderia se tornar amor. Eu queria poder te dizer tudo isso, como digo todos os dias em pensamento antes de dormir. Mas não posso. Ou posso, mas não consigo. Não enquanto estou aqui de longe, vendo você escondida, dolorida em silêncio, torcendo pra um dia a vida te colocar de repente no meu caminho, de novo, pela terceira vez. Enquanto eu não posso te tocar, te abraçar, te sentir, eu fico daqui de longe te mandando o melhor de mim e rezando para que você seja feliz, como você um dia me fez ser.

(ML)

Nenhum comentário:

Postar um comentário