domingo, 21 de junho de 2015
Eu sempre escrevi melhor quando não havia leitores para o meu texto. Quando não havia olhos para se entrelaçar nestas letras, ou pensamentos para processar estes períodos. Portanto, hoje - mas só hoje - eu vou fingir que você não está me lendo. Estou aqui, no meu blog (ah! que saudade dele), transformando os meus excessos em palavras, assim como sempre fiz. Hoje - não o hoje em que estou agora, mas o hoje em que estarei daqui 3 dias - é um dia especial porque eu completo um ano de namoro. Sim! Cá estou eu, completando 365 dias ao lado da pessoa com a qual eu pensava ser impossível ficar. Estou feliz, nostálgica e devo confessar que estou (como sempre) transbordando. Nos dias de hoje eu transbordo amor, sou uma pessoa menos densa - eu acho -, e desde que o conheci, evoluí bastante. Às vezes me pego lendo as minhas palavras e há um ano e meio atrás eu, sem dúvidas, era uma pessoa diferente. Apesar disso, acho que eu sempre fui assim, sabe? Feita de excessos. Aqui é o lugar onde eu mais amo despejá-los. Eu gosto quando consigo transformar os meus excessos em poesia, mesmo que eles sejam poesia só para mim e para mais ninguém. Paro por aqui, afinal, já gastei caracteres demais comigo. {Aqui eu faço uma pausa na fantasia para lhe pedir que tire do seu coração tudo o que existe nele. Sim, se for possível, eu adoraria! Deixe tudo o que seu coração sabe, tudo o que ele aprendeu, tudo o que ele carrega cravado em si. Apague tudo isso, por favor. Leia as minhas palavras com o olhar de alguém que não me conhece e com a pureza de quem não traz alguns calos na alma. Eu sei que é difícil, mas é importante. É gostoso, eu juro.} Bom, parece que chegou a hora de falar dessa pessoa que escolhi para caminhar comigo. Quando eu o conheci, as coisas eram difíceis demais e, por incrível que pareça, ele conseguia deixar tudo ainda mais difícil. Naquela época o meu Anjo da Guarda deve ter se cansado de mim depois de me ouvir tantas vezes pedindo ajuda e amparo, um colinho para me aconchegar, já que a evolução do espírito humano tornou todos os meus amigos incapazes de continuar aturando as minhas lamúrias. E nossa... Como eu lamentava! Parecia uma ladainha: oh, tudo é tão difícil, céus! Hoje eu até compreendo aqueles que não me suportavam mais. Se já era difícil passar por tudo aquilo, imagine para mim, que transformo formigas em monstros de dez cabeças. Para mim, até colocar um café na cafeteira tem todo um "feeling" e tudo tem uma razão. Se tudo já era complicado, acredite, eu podia complicar mais. Perdi as contas de quantas vezes eu tentei ser objetiva - sem sucesso - e me livrar daquela relação massante que dilacerava o meu coração e ao mesmo tempo me dava as malditas borboletas no estômago. Às vezes eu acho que foram as borboletas que me seguraram ali, porque, na verdade, era delas que eu não queria me despedir. Eu queria prendê-las no meu estômago e jamais ter me despedir daquele meu jeito de ficar, daquele meu jeito de sentir. Não queria me despedir de nenhum detalhe, de nenhum defeito, de nenhum problema. Doía, mas eu queria tudo aquilo aqui. Não é que eu queria sofrer, não. Ninguém gosta de sofrer (nem eu que sou um pouco louca). O que eu queria era tudo aquilo em um ano diferente, em uma época diferente, em uma situação diferente. No fundinho, eu amava viver aquilo. Amava a adrenalina, a incerteza, e as borboletas - de novo, as borboletas. Mas, como tudo na vida - inclusive eu - em excesso faz mal, uma certa hora ficou tão difícil mas tão, tão, tão difícil para o meu coraçãozinho aguentar tudo aquilo que ele decidiu desistir. E ele havia decidido de verdade daquela vez, eu podia sentir. Com a maior dorzinha do mundo ele queria dizer adeus a toda aquela situação e o mais difícil: teria que dizer adeus àquele amor. Nossa, ele chorou! Bateu doído, viu? Não queria dizer adeus àquele amor de maneira alguma. Acho que alguém havia contado pra ele que valia a pena. No dia em que meu coração resolveu desistir, o meu amor me agarrou. Agarrou com força, pra não soltar mais (pelo menos foi o que eu senti). Foi difícil amá-lo apesar de tudo. Foi difícil de verdade. Difícil para a minha cabeça não vagar por entre as mentiras, os erros, as mágoas... Aliás, ela me desobedece um pouco até hoje. Eu já disse pra ela que aquele cantinho é um lugar proibido, mas o que posso fazer quando ela vai parar ali? Nada. Preciso acalmá-la e tirá-la dali com muita delicadeza, porque caso ela pense que a estou expulsando... Não dá certo. Na verdade, costuma dar errado mesmo. Mas o que é que eu faço nessa vida que dá 100% certo? Eu sou um pouco errada mesmo. Um ponto fora da curva, como foi Machado de Assis. Mas ele era um gênio e eu só sou esquisita mesmo. Aqui se encerra mais uma divagação, peço perdão pela falta de foco. Apesar da dificuldade de amá-lo e de acreditar em suas palavras, aos poucos ele foi me ganhando - embora ele já houvesse me ganhado no dia em que sentou comigo naquela mesa de bar (mas eu não sabia). Ele me ganhou com os seus detalhes. Com aqueles mesmos detalhes que eu sempre cultuei, sempre adorei, sempre quis para mim. O carinho na sobrancelha, o jeitinho de dormir, o de beijar, o senso de humor, as bobagens, as sacanagens... Ele é [quase] perfeito. Com o tempo eu fui percebendo que ele não só era a pessoa maravilhosa que eu achava que ele era, como era melhor do que tudo aquilo. Era capaz de amar de um jeito bonito, que eu jamais imaginei que fosse possível para ele. Eu vejo os olhinhos dele mirando os meus gatos, e o vejo olhando para os nossos filhos, com esse olhar de amor. Eu descobri que ele é uma pessoa muito machucada, peço licença para usar as palavras de Eliane Brum, ele era um menino quebrado. Mas ele sabia que precisava continuar, apesar de estar todo quebrado. É que ele levou um tombo, mas um tombo lá do alto, de verdade! Doeu muito e ele acabou se quebrando. Mesmo que ela diga que eu consertei tudo isso, eu sei que jamais serei capaz de fazê-lo. Eu o remendei, colei e reboquei, mas não posso consertá-lo. Eu aprendi a viver com as falhas e os ossos quebrados que ele tem, e ele aprendeu a conviver com os meus. Aliás, ele foi a primeira - e única - pessoa na minha vida para a qual eu tive coragem de contar todos os ossos que já quebrei, um por um. Ele sabe onde eu já engessei. E sabe, também, que está fora do nosso alcance consertar um ao outro. Mas sabe que nós nos remendamos, dia após dia... E quero que seja sempre assim. Há um ano atrás eu tive a oportunidade de conhecê-lo profundamente e admirá-lo ainda mais. Às vezes paro para pensar e eu acho que não mudaria nadinha nele. E, nossa! Como me assusta a possibilidade de perdê-lo. Nesse ano as coisas estão difíceis para mim, os meus sentimentos se bagunçam de vez em quando e eu quase sempre perco o controle. Mas ele tem me entendido. E tem me apoiado. Isso é impagável. Ele fica do meu lado quando ninguém mais parece estar, ele segura a minha mão quando eu me sinto sozinha porque sabe o tamanho do meu pavor da solidão, ele me diz que sou linda (e magra!), me dá presentes e paga o meu jantar, me busca nas aulas de inglês e diz que adora me ver comer. Doideira, não é? Parece até que ele nem é de verdade... Mas ele é. E eu não quero soltá-lo nunca mais. O meu coração quase explode do lado dele e mesmo depois de 1 ano eu ainda me preocupo em impressioná-lo com minha roupa, lingerie, meu perfume, minha maquiagem... Gosto quando ele me olha com olhos de boquiaberto. Adoro o olhar dele de admiração, me faz sentir mulher! Plena e intensamente mulher. Pelos olhos desse homem foi que eu comecei a me enxergar. Comecei a enxergar que sim, eu sou boa em algumas coisas e ruins em outras, mas não tem problema, porque ninguém é bom em tudo. E, por mais que não pareça, ele está me ensinando a me amar. É um processo looooongo e demorado, mas ele tem paciência. É incrível. Não sei mais dormir sem ele aos sábados, nem almoçar sem ele aos domingos. Ele se tornou um pedacinho fundido no meu coração e minha única certeza é que se eu precisar tirar ele daqui algum dia, vai ser muito dolorido. Eu agradeço todos os dias por tê-lo do meu lado, embora eu não consiga demonstrar sempre. No meu aniversário de namoro, quero pedir à Deus mais (pelo menos) uns 60 aniversários de namoro e, posteriormente, casamento. Porque, Papai do Céu, eu escolhi ele e levo as minhas escolhas até o fim. Eu escolhi ele. Escolhi quando me entreguei, escolhi quando o aceitei como meu namorado, escolhi quando quis me transformar em "nós". E eu escolheria mil vezes se preciso fosse. Obrigada, meu amor, que está me lendo agora e interpretando os meus excessos. Julgue cada uma dessas letras com todo o carinho que existe dentro de você.
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