repleta de expectativas sobre o amor
mas ele apareceu
e foi como uma tragédia grega
e foi como uma tragédia grega
deixou em ruínas o meu palácio
os pilares cederam
os jardins murcharam
eu morri por um tempo
mas sobrevivi
soterrei o pátio
precisei
era definitivo
planejei, então, um futuro para mim
e para mim só
viagens, carnavais, sambas e festivais
esbanjando a liberdade e independência
que tanto desejei
que tanto desejei
sem a sombra do amor por outrem
que mais cedo me destruiu
você, aqui, apareceu de repente
não era personagem da história que criei
daquela sobre a qual eu tinha controle
e na qual eu não corria risco de morte
você já deve ter percebido que tenho medo
e isso é eufemismo
eu estou mesmo apavorada
em pânico
eu estou mesmo apavorada
em pânico
porque sei que você pode destruir
o palácio que levei tanto tempo para arrumar
e eu ainda sou capaz de sentir na minha boca
o gosto amargo da poeira
que vem depois da implosão
e eu ainda sou capaz de sentir na minha boca
o gosto amargo da poeira
que vem depois da implosão
tirei o pó da minha casa quando você chegou
passei pano no chão
mudei o sofá de lugar
perfumei as cortinas
perfumei as cortinas
coloquei flores na mesa
mas ali
bem ali no fundinho do corredor
ainda guardo as ruínas do primeiro palácio
que caiu por terra dentro de mim
estou aqui para lhe dizer que ando vulnerável
que os meus sentimentos estão se acumulando
entrelaçados com as notícias ruins
que os meus sentimentos estão se acumulando
entrelaçados com as notícias ruins
que não sou diferente de ninguém
e a vida, portanto,
também me é difícil
e a vida, portanto,
também me é difícil
mas, acima de tudo,
estou aqui para te perguntar
e te peço honestidade
e te peço honestidade
se eu te abrir a porta da frente
e você não precisar mais pular a minha janela
você promete
não me destruir?