a minha história é um rabisco
feito por uma linha só
partindo de um ponto único
brilhante e solitário
encantador aos olhos
e intransponível por nascença
na maior parte do tempo
rabiscar essa história é como
desenhar em um guardanapo frouxo
apoiado na palma da minha própria mão:
é difícil
não há firmeza
o traço fica estranho
e o grafite perfura o papel
o resultado disso é um rabisco
que pode até não ser lá muito renascentista
mas que passa a sua mensagem
e que consegue
sem muito esforço
encantar os olhos
de quem sabe apreciá-lo
dentre todas as coisas
que eu poderia falar sobre o meu rabisco
a mais importante delas
é que
apesar da inconstância
da incompreensão
e da chuva que insiste em cair
e borrar o grafite do meu papel
o rabisco permanece
a minha história é um rabisco
que borra, sim
mas que
sobretudo
resiste
e que aparece
e que há de sempre aparecer
todas as vezes que alguém lançar os olhos
para esse pedaço de papel