Uma atitude esplêndida do governo ter privado 50% das vagas das universidades federais para estudantes de escolas públicas, com todo respeito (e ironia). O assunto gerou certa polêmica na primeira semana em que a cota foi realmente aprovada, mas agora noventa por cento das pessoas não lembram mais do assunto. Brasileiros... Sempre deixando-nos levar pela distração da mídia... Eles querem nos controlar. E de certa forma conseguem. Perdemos o foco.
A questão é que vivemos em um país que promove a igualdade. Igualdade na qual estudantes de escolas da rede pública possuem 50% das vagas das universidades federais, dentre elas 30% reservadas para estudantes negros, pardos e indígenas. Racismo, isso é puro racismo. E sabe o que me deixou mais indignada? Li no jornal O Estado de São Paulo que a cota "é uma reparação de anos e anos de exclusão racial e social. Não é justo que o preto e pobre trabalhe de dia para pagar a universidade e estudar à noite enquanto o branco descansa o dia todo". Uma pausa para um breve comentário de uma pessoa incrédula no que leu: ser branco não significa descansar o dia todo e ser negro não significa ser pobre. Eu ainda não prestei o vestibular, sou estudante de escola particular e acho que ainda mais injusto que isso é a situação dos meus pais. Não sou rica, meus pais se esforçam ao máximo, trabalham o dia todo - da mesma forma que um negro trabalharia - para pagar uma escola com educação qualificada (o que não deveria ser necessário, visto que a exploração absurda do preço dos impostos deveria me dar o direito de ter uma educação qualificada através do governo, a qual eu pago porém não obtenho) para que eu chegue no vestibular e tenha direito a apenas 50% das vagas das faculdades porque não sou negra e estudante de escola pública, portanto não tenho direito aos outros 50%.
Creio e espero que todos nós tenhamos percebido que essa cota foi, nada mais nada menos, que uma forma de "tapar o sol com a peneira", mais uma vez. Nossa excelentíssima presidenta junto com todo o senado aprovou essa cota para mascarar o lixo que é a educação oferecida pelo governo. Da mesma forma que escolas são construídas para mostrar-nos um - falso - investimento na educação e enganar a maioria dos brasileiros. O dinheiro investido para estabelecer novas escolas em locais onde não são absurdamente necessárias seria muito melhor utilizado se fosse aplicado na melhoria das escolas já existentes. Como começar um projeto novo se o anterior ainda está ruim? Com essa cota é muito simples dizer que houve vários estudantes de escolas públicas aprovados nas universidades federais. Não importa onde você estude, pública ou particular, se houver esforço, você irá passar no vestibular sem cota alguma. Em contrapartida, concordo que existem inúmeras oportunidades para estudantes de escolas particulares que não existem para os da rede pública, mas jogar essa sujeira para debaixo do tapete não vai adiantar. Porém é mais fácil alimentar os pobres com privilégios e depois promover a igualdade. A educação do Brasil não é boa, o governo investe pouquíssimo na melhoria dela e cria cotas raciais e sociais pra que pensemos que algo realmente mudou.
Na verdade é muito bom pra eles. Oferecem uma educação de qualidade baixa para que os pobres não consigam fazer a ligação entre os fatos políticos que mostram como o governo é sujo, o voto deles é garantido porque para eles todos no senado são muitíssimo bem intencionados. Eles ganham milhões, possuem contas absurdas foras do país, são corruptos e mesmo assim o país continua votando para que eles estejam lá. Acorda Brasil! Se isso está acontecendo é porque nós permitimos que acontecesse. Eu adoraria viajar para os lugares mais remotos desse país para dizer a todos o que realmente acontece, eu tenho certeza que isso que nós lemos no nosso estado, eles não são capazes de ler. Não são capazes de enxergar e compreender. Sei que escrever em um blog (nada conhecido, aliás) não vai mudar muita coisa, mas como já dizia Sydney Smith "o maior de todos os erros é não fazer nada só porque se pode fazer pouco".
Vote consciente. Pelo bem do nosso país.
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